21 de dezembro de 2016

[Resenha #52] A Garota Interompida

Título: Garota, Interrompida
Autor: Susanna Kaysen
Editora: Única
Páginas:189


Sinopse: Quando a realidade torna-se brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Keysen era uma delas. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era logo que seus pais, amigos e professores não entendiam. E sua vida transformou-se ao colocar os pés pela primeira vez no hospital psiquiátrico McLean, onde, nos dois anos seguintes, Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade. Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é sanidade? Garotas interrompidas.


Falar sobre um livro que te estraçalhou por dentro é extremamente difícil. Principalmente quando se trata de histórias reais e que aconteceram com o escrevente. Susanna Kaysen não é apenas autora do livro Garota, Interrompida. Ela é a protagonista de uma série acontecimentos dolorosos que aconteceram meados de 1967. A vida de Su era normal, mas ela não concordava com determinados padrões para sua época. A sua família, muito tradicionalista, entendia isso como uma afronta. Uma garota de 18 anos, cheias de sonhos ao mesmo tempo de incertezas chega a ser tratada como louca por seus familiares. Mas, estaria ela louca? O seu mundo vira de cabeça para baixo, ela agora é uma interna de um hospital psiquiátrico.

“[As cicatrizes] são uma espécie de fronha, que protege e esconde o que houver por baixo. Por isso as criamos. Porque temos algo a esconder.”

Lemos um enredo de mulheres que foram internadas, passam por sessões de terapias a cada cinco minutos. Nada é fácil de ser compreendido, já que estamos falando do Hospital Psiquiátrico McLean, fundado em 1811 no Massachusetts, EUA.  Internada sob o diagnóstico: transtorno de personalidade limítrofe, uma doença mental que agrega características de depressão e transtorno bipolar, tornam a Su uma jovem louca e que precisa de cuidados. Como lidar com essa cena? Não tem como se colocar no lugar da personagem, mesmo que desejemos fortemente. É insano você estar dentro de um lugar com a mente Sã, em meio a outras mulheres internadas que seriam consideradas "doentes" ou com algum tipo de distúrbio. O fato é que esse lugar, transformou a Suzanna completamente, porque ela compreendeu o que era ir contra a sociedade, a sua família, a costumes sociais e dogmas religiosos. E, ela sabia para onde iriam as pessoas que pensavam "diferente".

Em momento algum tratei a personagem como louca ou com algum tipo de distúrbio, até mesmo porque ela se torna referência para outras internas e aprende a lidar com elas. Em meio a um ambiente doloroso e chocante, ela faz amizade com Lisa, uma personagem significativa para o desfecho da história.


“Contudo, a maioria das pessoas chega aqui aos poucos, abrindo de furo em furo a membrana que separa o aqui do lá fora, até aparecer uma brecha. E quem resiste a uma brecha?”


Não foi fácil passar por 189 páginas sem sequer derramar lágrimas por todas as injustiças que a Su vive. Me perguntei: Como ela não enlouqueceu ali? É certo que se ela tivesse enlouquecido não teria nos contado essa história nem mesmo transformado esses fatos em livrou ou filme. Isso mesmo, Garota, interrompida também possui um filme (lançado antes mesmo do livro).

O que torna a narrativa ainda mais completa e profunda são os laços de amizade formados por Suzanna e as outras internas. É possível encontrar esperança em meio a loucura, e a autora nos prova isso, ao decorrer da leitura. O mais interessante é que percebemos os flahes de memória que a autora põe nesse livro tornando-o ainda mais real e colocando ainda mais sensibilidade por traz de suas palavras.

É impossível não se emocionar, chocar-se e refletir com essa obra. Entender um pouco sobre a sociedade e os preceitos da época nos provam que o ser humano sempre passou dos limites. Fica evidente o quanto esses livros se tornam marcantes, ainda mais sendo a autora a protagonista. Um relato nu e cru que soca o nosso estômago de tal maneira que a nossa ficha cai sobre as atrocidades do ser humano.

A capa e a diagramação contemplam um cor diferenciada. A capa rosa choque ao passo que fala de um sujeito feminino evidencia uma voz hora silenciada pela cor branca e o luto nas fontes do titulo. Parabenizo a editora Única pela qualidade na revisão e pelo olhar clinico em não deixar que erros ortográficos tornem a leitura desgastante. Por este motivo, recomendo a leitura para aqueles cuja sanidade está prestes a ser anulada, em meio a loucura vivida dentro de um hospital psiquiátrico.


“As pessoas me perguntam: como você foi parar lá? O que querem saber, na verdade, é se existe alguma possibilidade de também acabarem lá. Não sei responder à verdadeira pergunta. Só posso dizer: é fácil.” 



2 comentários:

  1. Oi, Amanda!
    Caramba! Esse livro parece ser muito bom. Pelo título, eu imaginava que se tratasse de outra coisa.
    Acho que eu vou chorar muito ao lê-lo, meu Deus, é uma injustiça sem igual. Já fiquei toda arrepiada só de pensar numa coisa dessas, uma menina sã internada num hospital psiquiátrico só porque pensa diferente. É tão absurdo, minha nossa, os tempos passados eram tão difíceis, incompreensíveis em algumas circunstâncias.
    Vou procurar o filme para assistir também.
    Beijos
    Historiar

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  2. Olá Amanda
    Adorei poder conferir suas impressões a respeito desse livro. Faz um bom tempo que o li, mas lembro que foi uma ótima experiência, isso não há dúvidas. E eu sempre vivo recomendando para meus amigos. O filme, infelizmente ainda não assisti, mas gostaria muito de conferir sim. Realmente é impossível não se emocionar com essa história tão marcante!
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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